Aporte de Capital de Risco é um tipo de investimento feito em uma empresa para fazê-la crescer rapidamente e multiplicar o investimento em pouco tempo. Muitas vezes este investimento é feito em uma startup, às vezes até uma idéia ainda não implementada, portanto há mais incerteza sobre o sucesso do negócio, por isso o risco.
O empreendedor tem a idéia e capacidade de execução, o investidor tem recursos financeiros, experiência estratégica e networking pra alavancar o negócio. Um investimento saudável é uma parceria entre empreendedor e investidor, ambos devem ter capacidade de superar desafios com o objetivo comum de fazer o negócio dar certo.
Já percebeu que conseguir um investimento de capital de risco é o sonho de muitos empreendedores e “pessoas que têm idéias”? Esses já começam errado, investimento não pode ser sonho, precisa ser meio, ferramenta, caminho. O sonho deve ser fazer algo importante, rentável e altamente escalável.
Idéia e protótipo
A definição do que é uma boa idéia foge do escopo deste texto, mas idéia, sozinha, não sustenta um bom investimento. É importante ter uma maneira prática pra demonstrá-la. A melhor maneira que conheço pra demonstrar um conceito é o protótipo funcional, que pode ser lançado publicamente ou demonstrado pra apenas algumas pessoas, mas é importante que ele seja usado pelo seu público-alvo, por representantes do mercado que você pretende abordar.
Onde está o dinheiro?
No Brasil o investimento de Capital de Risco pode vir de diferentes fontes, Investidores Anjo, empresas de Venture Capital, Fundos de Investimento. Independente da fonte do dinheiro, você deve sempre avaliar o investidor além da sua capacidade financeira, é importante o investidor trazer visão estratégica e networking pra alavancar o crescimento e sustentabilidade da empresa.
Qual o valor do meu projeto?
Em negócios já estabelecidos, com faturamento anual e posição em mercado conhecido, o valor da empresa normalmente é um múltiplo do faturamento anual. Mas como responder esta pergunta para uma empresa que, muitas vezes, nem existe ainda, e, se existe, não provou o modelo de negócios e, muitas vezes sequer tem faturamento? Comece respondendo a pergunta:
Quanto dinheiro você precisa pra fazer seu projeto dar certo?
Uma das soluções comuns é fazer uma conta de chegada. Você primeiro prevê quanto dinheiro é necessário para desenvolver seu negócio, depois, calcula quanto esse valor vai influenciar seu negócio.
Se der errado, eu precisarei pagar o investimento de centenas de milhares de
dólares?
Leia com atenção todos os contratos e não deixe qualquer dívida da empresa te afetar pessoalmente em favor de outros sócios. Você e o investidor estão firmando uma sociedade, todos os sócios precisam estar dispostos a correr o risco e abraçar as consequências, sejam elas boas (e trabalhe dia e noite pra que elas sejam boas) ou ruins (e não deixe o fracasso te alcançar).
Como é feita a divisão de ações?
Em um investimento hipotético, suponhamos que você precisa de 200 mil dólares para provar o modelo de negócios da sua empresa, isso, segundo sua concepção, adicionaria 40% no valor atual da empresa. Fazendo uma conta de razão e proporção simples, concluímos que seu negócio atual vale 500 mil dólares. Se você conseguir o investimento de 200 mil dólares que almeja, a empresa valerá 700 mil dólares.
Nessa situação hipotética, após o investimento você controla a empresa, com 60% das ações, enquanto os investidores teriam 40% da sua nova empresa que agora vale 700 mil dólares. Vamos fazer mais contas simples: você tem 60% de uma empresa avaliada em US$ 700 mil, isso representa US$ 420 mil, enquanto os investidores – que entraram com US$ 200 mil em dinheiro – agora controlam o equivalente a US$ 280 mil.
Notamos que nessa balança o dinheiro do investidor vale mais pra você que pra ele. Esse desequilíbrio acontece pois, teoricamente, se você não conseguir o investimento, seu negócio com valor de 500 mil dólares pode perder timing de mercado, passando a valer muito pouco, ou nada, em um curto período de tempo. Neste momento você depende do investidor mais que ele depende do seu negócio, entende? Agora é sua obrigação trabalhar dia e noite pra fazer sua empresa faturar bem e a balança se equilibrar. É importante estar ciente que estes números são um “acordo” e não o valor real de mercado da empresa. Na prática, negócio sem faturamento sustentável não tem valor pra quem não está envolvido nele.
Na divisão inicial de ações a regra de ouro é o conforto, empreendedor e investidor precisam estar plenamente confortáveis com os números que acordam. Lembre-se que vocês estão se tornando sócios, não adversários, conflito e desconforto nessa fase da empresa só atrapalham. O foco deve ser sempre em desenvolver o negócio, não em brigas com números que ainda nem têm valor efetivo.
Onde posso usar o dinheiro?
O investimento acontece após a apresentação de um Plano de Negócios. Um documento-guia que diz onde você vai usar o dinheiro. Entre outras coisas oBusiness Plan descreve contratações, compra de equipamento, fusões e aquisições de outras empresas, investimentos em software e infraestrutura.
O dinheiro nunca é usado pessoalmente pelo empreendedor, pode parecer bobagem escrever isso aqui, mas muita gente pensa que o empreendedor pega US$ 5 milhões de investimento, coloca na conta bancária pessoal e vai curtir férias nas Bahamas. Não é assim, investimento sempre vem acompanhado de muito trabalho, noites em claro, esforço e cobrança interna e externa.
Pra otimizar o uso do investimento, o empreendedor se condiciona a receber muito menos que o padrão de mercado na remuneração de um executivo e quase sempre recebe menos do que recebia em seu emprego anterior. Você precisa estar disposto a receber o mínimo possível pra pagar as contas pessoais, inclusive usando seu patrimônio, como poupança, carro e imóveis, pra manter o investimento na empresa e não em sua vida pessoal. Cada Real que você tira da empresa hoje pra pagar suas contas representa milhões a menos em ações da empresa num futuro próximo.
É como disse o tio Ben: “Com grande poder vem grande responsabilidade”, lembre-se disso.
Como funciona o capital de risco?
Quando você começa um novo negócio, precisa de dinheiro para fazê-lo decolar. Precisa de dinheiro para alugar ou comprar um espaço, móveis e equipamentos, materiais de escritório e também precisa pagar os funcionários. Há vários lugares onde você pode conseguir o dinheiro que um novo negócio demanda:
· poupança - você pode financiar seu negócio com sua poupança
· bootstrapping - em alguns negócios mais simples, é possível usar este método. Bootstrap significa começar um negócio com pouco investimento e então usar o lucro de cada venda para fazer a empresa crescer. Funciona bem no setor de serviços, no qual as despesas iniciais costumam ser baixas e não são necessários funcionários pra começar
· empréstimo bancário - você pode pedir dinheiro emprestado a um banco, no caso da micro e pequena empresa existem algumas opções diferentes. Os três métodos têm limitações, a menos que você já seja um indivíduo rico. A quarta maneira de conseguir dinheiro para começar um negócio é chamada Capital de Risco. Com ele você consegue obter grandes quantias de dinheiro que vão sustentar negócios com custos iniciais altos ou que requerem um rápido crescimento. Esses fundos começaram recentemente a entrar no Brasil.
Você já deve ter ouvido falar de Investidores Institucionais de Risco (Venture Capitalists) que fundam empresas pontocom e financiam todo tipo de negócio. A abordagem clássica que uma empresa de capital de risco usa é abrir um fundo. Um fundo é um conjunto de recursos que a empresa vai investir. Ela junta dinheiro de pessoas ricas, empresas, fundos de pensão, etc. A empresa vai então levantar uma quantia fixa de recursos com o fundo - digamos, US$ 100 milhões. Ela investe os US$ 100 milhões em algumas empresas -por exemplo, 10 a 20 negócios. Cada empresa e cada fundo têm um perfil de investimento. Por exemplo, um fundo pode investir em estreantes da área de biotecnologia, ou em empresas pontocom que estejam em busca de uma segunda rodada de financiamento. O fundo pode ainda tentar um mix de empresas que estejam se preparando para abrir capital (através de uma oferta primária de ações) nos próximos seis meses. O perfil que o fundo escolhe tem certos riscos e recompensas que os investidores conhecem quando investem o dinheiro.
Tradicionalmente as empresas de capital de Risco investem todo o fundo e então estimam que todos os investimentos serão compensados em 3 a 7 anos. Ou seja, a empresa de capital de risco espera que cada empresa na qual ela investiu ou "abra o capital" (o que significa que a empresa venderá ações em uma bolsa de valores), ou seja comprada (adquirida) por outra empresa. Nos dois casos, o dinheiro que entrar com a venda de ações para o público ou para uma empresa permite que a empresa de capital de risco ganhe dinheiro e devolva os rendimentos para o fundo. Quando todo o processo é concluído, o objetivo é ganhar mais que os US$ 100 milhões investidos no início. O fundo então é redistribuído para os investidores com base no valor que cada um investiu no início.
Digamos que um fundo de capital de risco invista US$ 100 milhões em 10 empresas (US$ 10 milhões em cada). Algumas dessas empresas terão muito sucesso, outras, na verdade, não vão a lugar algum, mas algumas vão abrir capital. Quando uma empresa abre seu capital, geralmente vale centenas de milhões de dólares, e o fundo tem um bom retorno.
Para um investimento de US$ 10 milhões, o fundo deve receber de volta algo em torno de US$ 50 milhões em um período de 5 anos. Ou seja, o fundo de capital de risco se baseia na lei da média: conta com o fato de que as empresas que deram certo (as que conseguem sobreviver e abrem o capital) vão compensar as que não deram certo e gerar um bom retorno sobre os US$ 100 milhões levantados pelo fundo no começo. A habilidade da empresa de capital de risco para escolher e sincronizar seus investimentos é um fator importante para o retorno do fundo. Os investidores geralmente buscam retorno de investimento anual em torno de 20%.
Do ponto de vista da empresa que recebe o investimento, a transação funciona assim: a empresa é aberta e precisa de dinheiro para crescer, então ela procura empresas de capital de risco para investir em seu negócio. Os fundadores da empresa criam um plano de negócio que mostra o que eles pretendem fazer e o que eles acreditam que acontecerá com a empresa num determinado tempo (quanto tempo ela levará para crescer, quanto dinheiro vai gerar, etc.). Os investidores avaliam o plano e, caso gostem dele, investem dinheiro na empresa. A primeira rodada de investimento é chamada de capital inicial. Com o tempo, a empresa geralmente recebe outras 3 ou 4 rodadas de investimento antes de abrir o capital ou ser adquirida. Em troca do dinheiro que recebe, a empresa dá aos investidores ações e também parte do controle da tomada de decisões. A empresa pode, por exemplo, dar à empresa de capital de risco uma vaga na diretoria. Ou a empresa pode concordar em não gastar mais do que US$ X sem a aprovação do investidor. Pode ser que a empresa também precise da aprovação do investidor para contratações de pessoal, empréstimos, etc.
Em muitos casos, a empresa de capital de risco oferece mais do que dinheiro. Por exemplo, ela pode ter bons contatos no mercado ou muita experiência que ela pode passar para a empresa. Um ponto importante que é discutido na negociação quando um investidor de risco investe em uma empresa é: "quantas ações a empresa de capital de risco deve receber em troca do dinheiro que investiu"? Esta pergunta é respondida quando um valor é estabelecido para a empresa. O investidor e a empresa têm que chegar a um acordo sobre quanto a empresa vale. Esta é a avaliação pré-investimento. Então a empresa de capital de risco investe os recursos, criando uma avaliação pós-investimento. O aumento percentual no valor determina quantas ações a empresa de capital de risco recebe. Em geral, o investidor institucional recebe algo em torno de 10% a 50% do capital da empresa em troca do investimento. Pode ser mais, ou menos, mas esta é a faixa típica. Os acionistas iniciais são diluídos no processo: antes do investimento, eles têm 100% do capital; se a empresa de capital de risco fica com metade da companhia, os acionistas iniciais ficam com a outra metade.
Empresas pontocom geralmente usam o capital de risco para começar, pois precisam de muito dinheiro para propaganda, equipamento e funcionários. Precisam de propaganda para atrair visitantes, e precisam de equipamento e funcionários para compor o ambiente físico. A quantia de dinheiro necessária para publicidade e a velocidade com que as coisas mudam na internet podem tornar o bootstrapping impossível. Por exemplo, muitas das empresas pontocom de e-Commerce geralmente consomem de US$ 50 a 100 milhões até chegarem ao ponto de poder abrir o capital. Até metade desse dinheiro pode ser gasto com propaganda!


